quinta-feira, 21 de junho de 2012

O amor homossexual de Davi por Jonatã?


No capitulo dezoito do primeiro livro de Samuel, temos um bonito relato do amor de Jônatas, ou Jonatã (filho do rei Saul) por Davi, o franzino rei que derrotará o gigante Golias. Sempre que alguns tentaram ver nesse episódio, sinais de um amor homossexual, logo os defensores da moral se apressaram para desmerecer as insinuações. Não nos cabe dizer qual tipo de amor que os ligava, no entanto, não nos parece impossível que pudesse ter havido realmente, algo maior que amor de simples amigos:

“Ora, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas ligou-se com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. E desde aquele dia Saul o reteve, não lhe permitindo voltar para a casa de seu pai. Então Jônatas fez um pacto com Davi, porque o amava como à sua própria vida. E Jônatas se despojou da capa que vestia, e a deu a Davi, como também a sua armadura, e até mesmo a sua espada, o seu arco e o seu cinto.”
Somos informados ainda que Davi achava-se angustiado pelo seu irmão Jônatas. A palavra irmão era comumente empregada entre amantes, razão pela qual se torna difícil avaliar em que sentido a Bíblia entende o amor desses dois personagens: “Tu me eras tao querido! – conta Davi ao lembrar do amigo - Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres.”

Parece que Saul suspeitava de um amor homossexual entre seu filho Jônatas e Davi, por isso decide matar o suposto amante do filho. Tomado de violenta cólera, diz na frente do filho e de seus servos, que já sabe de seu envolvimento com o filho de Jessé, e que isso representa uma vergonha para sua mãe e toda a família. Vergonha por quê? Parece mesmo que os dois eram amantes, e disso o velho Saul e toda corte já sabiam.
Ao saber que o amigo corria perigo, Jônatas foi ao seu encontro avisá-lo para que partisse. É dito que ao ver Jônatas chegando, Davi curvou-se como era costume, e ambos se abraçaram, em prantos. Há uma versão que aponta que além de abraços, também se beijaram (possivelmente no rosto, como era o costume).
Sabemos por historiadores, que não era tão incomum casos assim, naqueles tempos. Os homens passavam muitas vezes meses e anos na guerra sem ver as famílias. Quando um sacerdote indaga a Davi, se estava se abstendo de mulheres, disse que sim. Ele e todos seus soldados.

E era bem comum soldados em batalhas terem seus amantes. Talvez Davi e Jônatas viveram um belo romance, e isso não seria nada estranho, apesar dos protestos dos conservadores. Mas é o leitor quem deve decidir.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

LEI QUE CRIMINALIZA HOMOFOBIA É REALIDADE NO ESTADO DO PARÁ


 
A Lei n. 7.566, de 26 de outubro de 2011, de autoria da Deputada Bernadete, que proíbe a discriminação contra homossexuais foi publicada ontem no Diário Oficial do Estado e já está em vigor.
Bernadete se disse muito feliz com a notícia. “Todos militantes e simpatizantes das causas LGBT podem crer na nossa democracia, que cresce e se fortalece através de nossas políticas de direitos humanos”, concluiu.
A partir de agora não será preciso ter interpretação judicial, pois a lei estadual já traz de forma especificada os tipos de discriminação, amaparando o cidadão. A partir da legislação, fica proibida a exigência de teste de HIV como pré-requisito para participação em concursos públicos ou seleção de recursos humanos por empresas privadas. Além disso, segundo o artigo quinto, o Poder Público passa a ter permissão para fazer apreensão de qualquer material discriminatório que venha atentar contra a dignidade do cidadão.
Além disso, a lei proporciona mais respaldo para denunciar esse tipo de preconceito e dá mais segurança para que a população LGBT exerça seus direitos de cidadãos.

domingo, 9 de outubro de 2011

CIRIO DE NAZARÉ, FESTA DO PARÁ

A cada ano, um número maior de romeiros é atraído para participar do Círio, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos do Pará (Dieese-PA). Em 2011, a procissão deverá reunir mais de 2 milhões de pessoas numa caminhada de fé pelas ruas da capital paraense, um verdadeiro espetáculo em homenagem a Maria de Nazaré, a mãe de Jesus.  

Assim como em todas as 11 romarias oficiais, durante todo o trajeto do Círio são prestadas várias homenagens à Imagem de Nossa Senhora, além dos promesseiros que realizam diversas manifestações de fé para fazerem seus pedidos, agradecer às graças alcançadas e pagar suas promessas. Neste dia, as ruas e casas se enfeitam especialmente em homenagem à Santa. Após a grande procissão, a Imagem da Virgem fica exposta no altar da Praça Santuário para a visita dos fiéis durante os 15 dias da quadra nazarena. 

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré remonta ao início da colonização portuguesa. O termo Círio vem da palavra latina "cereus", que significa vela ou tocha grande. Por ser a principal oferta dos fiéis nas procissões em Portugal, com o tempo, o termo passou a ser sinônimo da procissão de Nazaré aqui em Belém e de muitas outras pelas cidades do interior do Estado. 

Corda -  A Imagem da Santa Peregrina é conduzida dentro da Berlinda, que é puxada por um dos principais ícones do Círio, a Corda, onde fica boa parte dos promesseiros. A Corda foi inserida no Círio em 1855, quando, em decorrência das fortes chuvas, a feira do Ver-o-Peso ficava inundada. A solução foi atar cordas a fim de que os romeiros pudessem desatolar a Berlinda e agilizar a romaria.  

A Corda incorporou-se de tal forma à procissão que foi introduzida oficialmente em 1885 e tornou-se um dos mais fortes elementos do Círio, representando a intensidade da devoção mariana e o amor sem medidas à Padroeira dos Paraenses. A Corda possui 400 m de extensão e, em 2011, a estimativa é de que ela seja puxada por cerca de 7.600 promesseiros.
 
Núcleos e Estações - Com o intuito de buscar maior agilidade no percurso das procissões da Transladação e do Círio, e com a perspectiva da Corda chegar atrelada a Berlinda, a Diretoria da Festa de Nazaré, desde o Círio 2004, alterou o formato da Corda nestas procissões, que deixou de ser em forma de "U" para ser linear.  

Na Trasladação e Círio de 2011, a Corda continua sendo dividida em núcleos (da Cabeça e da Berlinda) e estações (são cinco, ao todo). O núcleo da cabeça tem 11 metros e comporta 92 pessoas. Em cada estação são comportados 48 promesseiros.
    
Em 2011, a Diretoria da Festa de Nazaré e a Arquidiocese de Belém lançaram uma campanha que pretende evitar o corte antecipado da corda do Círio e da Trasladação. A campanha foi motivada pela necessidade de manter vivo este símbolo tão importante da devoção à Nossa Senhora e, também, para evitar possíveis acidentes durante as procissões.  

Diferente dos anos anteriores, esse ano o arcebispo fará a benção da corda somente na Avenida Nazaré, próximo ao colégio Santa Catarina -  e não na saída, como acontecia antes  -  e, após esse momento, a própria Guarda de Nazaré fará o corte e entregará aos fiéis. 

Durante o Círio, agentes da Polícia Civil e Militar, além dos Guardas de Nazaré, estarão o tempo todo em alerta para identificar pessoas suspeitas de portar arma branca durante o trajeto. De acordo com a Diretoria da Festa, muitas pessoas que cortam a corda fazem isso para comercializar a terceiros. Quem for flagrado com faca durante a procissão será detido e responderá por porte de arma branca.

Curiosidades - Foi em 2004, que aconteceu o maior Círio da História, com o trajeto cumprido em 9 horas e 15 minutos. Neste mesmo ano, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré foi registrado, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como patrimônio cultural de natureza imaterial. 

Milagres - São inúmeros os milagres atribuídos pelos cristãos à Virgem de Nazaré. O primeiro conhecido no mundo foi relatado pelo fidalgo Dom Fuas Roupinho, cujo cavalo galopava descontrolado para um abismo. Ao invocar a Virgem, o cavalo estancou, salvando o fidalgo da morte certa. Outro milagre aconteceu no ano de 1846, com os passageiros de um brigue português - embarcação de dois mastros comuns - denominado São João Batista, que deixou Belém rumo a Lisboa no dia onze de julho. Dias depois, o brigue naufragou e os passageiros foram salvos por um bote que os trouxe de volta à Belém. O brigue havia, anos antes, transportado a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Lisboa, para ser restaurada. O bote que salvou os náufragos também era o mesmo que tinha levado a Imagem até o brigue ancorado ao largo da cidade.  

Como representação de alguns desses milagres, são levados no Círio carros onde os romeiros depositam seus objetos de promessas que carregam durante a procissão. Ao todos são 13 Carros: Carro de Plácido, Barca dos Escoteiros, Barca Nova, quatro Carros dos Anjos, Cesto de Promessas, Barca com Velas, Barca Portuguesa, Barca com Remos, Carro Dom Fuas e Carro da Santíssima Trindade. 

Ex-votos  -  O destino de alguns ex-votos, ou seja, os objetos depositados nos Carros do Círio, e que representam as graças alcançadas pela interseção de Maria, vão para o museu existente na Casa de Plácido, outros ficam expostos no Museu do Círio. Os ex-votos que quebram e não podem ser preservados são vendidos às empresas de cera e o valor recolhido é destinado às Obras Sociais de Nazaré. 

História - A primeira procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré saiu na tarde do dia 8 de setembro de 1793. Na noite anterior, a Imagem da Santa havia sido transferida de sua ermida na Estrada do Utinga para o Palácio do Governo, com toda a pompa da época: 1.932 soldados da Milícia participaram do cortejo. A mobilização foi grande, tinha gente de toda a redondeza de Belém atraída pela feira que o governador determinou que fosse instalada no terreno que circundava a ermida, para a venda de produtos regionais. Desde a sua instituição, até 1881, a procissão saia da Capela do Palácio do Governo. 

O Círio passou a ser realizado pela manhã em 1854, devido às fortes chuvas que aconteciam à tarde. A partir de 1882, o bispo Dom Macedo Costa, de comum acordo com o Presidente da Província, Dr. Justino Ferreira Carneiro, resolveu que o ponto de partida seria a Catedral da Sé, o que acontece até hoje. O segundo domingo de outubro ficou definido como o dia de realização da procissão do Círio, em 1901. Em 1992, no Círio 200, a Imagem que saiu na procissão foi à autêntica, a peça encontrada por Plácido. Até o ano de 1999, a Missa foi celebrada no interior da Igreja, como a cada ano aumentava mais a participação do povo, a partir do ano 2000, a pedido do Padre José Gonçalo Vieira, Vigário da Cúria Arquidiocesana, a Missa passou a ser celebrada em um tablado em frente à Catedral. 

No Pará, a devoção à Virgem nasce com a história do caboclo Plácido, que encontrou a pequena Imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margem do Igarapé Murutucu, que corria pela atual travessa 14 de Março, onde hoje ficam os fundos da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. Imaginando que algum devoto da cidade de Vigia havia esquecido a Imagem ali, levou-a para casa. No dia seguinte, não a encontrou. Ela havia retornado ao igarapé. Nova tentativa, novo retorno da Imagem ao nicho que havia escolhido. A Imagem, então, teria sido levada para a Capela do Palácio do Governo da Província, onde ficou guardada por escolta. De manhã, não havia nada na Capela, a Imagem havia retornado ao igarapé. Obedecendo aos desejos da Virgem, à beira do igarapé foi construída uma ermida, que deu início à romaria e à devoção do povo paraense à Virgem de Nazaré. 

Percurso: Saída da Igreja da Sé, percorre a Praça do Relógio, Av. Portugal, Av. Boulevard Castilho França, Av. Presidente Vargas, Av. Nazaré até a Praça Santuário de Nazaré.  

SERVIÇO: Missa do Círio  -  Domingo, dia 09 de outubro, às 5h em frente a Catedral da Sé.
Círio de Nazaré  -  Domingo, dia 09 de outubro, com saída às 6h30, da Catedral da Sé.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Abraão e Moisés nunca existiram! Exôdo é pura ficção!

Abraão, o patriarca judeu, talvez nunca tenha existido. Tampouco Moisés. E mais: a história do êxodo, tal qual se relata na Bíblia, talvez nunca tenha ocorrido. O mesmo é válido para a queda das muralhas de Jericó. E é muito provável que Davi, longe de ser o rei intrépido que transformou Jerusalém em uma capital poderosa, tenha sido um líder provinciano cuja reputação, mais tarde, foi exagerada para dar um empurrão a uma nação em crise.

Estas propostas - bastante controvertidas - são produto dos achados de arqueólogos que fazem escavações em Israel e arredores nos últimos 25 anos e que ganharam uma ampla aceitação entre os rabinos não ortodoxos. Claro que não houve ninguém com coragem para difundir estas idéias ou discuti-las com os laicos. Ao menos até agora. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BRAGANÇA realiza II Conferência Municipal LGBT

A II Conferência Municipal LGBT será mais um espaço de discussões entre a sociedade civil e o poder público municipal, onde a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais irá decidir sobre os rumos das políticas públicas para a cidadania e os direitos humanos LGBT no municipio de Bragança.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lei de combate a Homofobia é realidade no Estado do Pará

A sessão especial de combate à homofobia ocorrida hoje, 29.08.2011, na Alepa, contou com a presença de muitas autoridades e representantes de vários órgãos, como Secretaria de Estado de Saúde, Conselho Estadual da Diversidade Cultural, Conselho Nacional da Diversidade Sexual, SEJUDH – Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, DPE – Delegacia de Polícia Especializada, entre outros.
A Deputada Bernadete, que participou da sessão, lembrou aos presentes da Lei 7261/09, de sua autoria, que institui o Dia Estadual de Combate à Homofobia. “A Lei integra o calendário de eventos oficiais de Estado do Pará”, disse a Deputada.
Bernadete também manifestou seu descontentamento com relação à atual postura da Alepa em não aprovar políticas públicas sob o argumento de inconstitucionalidade. “Nós já aprovamos nessa Casa muitas políticas públicas importantíssimas, como a Lei da Economia Solidária, cujo fundo aguarda a sanção do Governo. Já temos inclusive um Projeto de Decreto Legislativo para que esta Casa destine R$ 1 milhão/mês para o fundo Ecosol”, lembrou Bernadete.
Na oportunidade, a parlamentar fez um apelo ao Presidente da Alepa, Deputado Manoel Pioneiro, para que coloque em votação o Projeto de Lei que proíbe a discriminação em virtude de orientação sexual e identidade de gênero, de autoria de Bernadete. “Seria fantástico o Estado do Pará criminalizar a homofobia, dando assim um exemplo ao Congresso Nacional”, disse.
A sessão especial foi iniciativa do Deputado Edilson Moura (PT) e fizeram-se presentes os Deputados Manoel Pioneiro (PSDB), Edmilson Rodrigues (PSOL), o vereador Marquinhos (PT), e autoridades municipais e estaduais.